O título parece bingo ou sorteio de loteria. Mas calma, já explico. Quem curte futebol deve ter entendido que é o esquema tático.
Juro que tinha pensado nisso na semana passada. Depois, vi que teve jornalista cogitando a possibilidade. Grêmio no 3-5-2. Se tem gente mais experiente sugerindo isso, talvez não seja uma ideia minha tão absurda.
Não sei se daria certo. Mas colocando as melhores peças, penso que seria uma tentativa com boas chances de funcionar.
Pra começar, Victor no gol. Óbvio, nem precisa explicar.
Na zaga. Bom, todos pedem Mário Fernandes como zagueiro. Eu já disse que prefiro como lateral. Num 3-5-2, daria pra colocar o Mário como zagueiro direito. Rodolfo ou Rafael Marques de zagueiro central, enquanto Vilson não volta (eu tenho pra mim que ele deve ganhar nova chance). Neuton do lado esquerdo, afinal, ele já atuou de lateral.
Mais para a frente teria Gabriel, de ala direito. E Lúcio, de ala esquerdo (como muitos também pedem Lúcio na lateral esquerda). Rochemback e Adílson de volantes. Douglas na armação das jogadas.
No ataque, por enquanto, Leandro e Borges. A dupla de atacantes do Grêmio terá que ser testada várias vezes, porque tem possibilidades. Leandro, Borges, André Lima, Escudero... os outros são reservas. Talvez o guri tenha sido quem mais se mostrou credenciado à titularidade. A direção também poderia contratar alguém, o que seria muito bem-vindo.
Com essa formação, o Grêmio não ficaria muito diferente do que é atualmente. A única coisa que mudaria é o lateral esquerdo Bruno Collaço saindo (que até está lesionado) para entrada do Neuton. E a zaga, que igual hoje ninguém está confiando muito. O 3-5-2, com esses jogadores, permitiria que o Grêmio mudasse de esquema no meio do jogo, dependendo do resultado e do adversário, sem ter que trocar jogadores. Se fazendo necessário, Lúcio voltaria para o meio-campo e Neuton assumiria a lateral, ficando Mário e o outro zagueiro. Este esquema favoreceria a defesa também, que não está lá essas coisas. Seriam três zagueiros e mais os dois volantes, muito mais segura que a de agora, quando não dá pra confiar na zaga e o lateral direito não marca.
Enfim, o problema do Grêmio não está em apenas um setor. É triste, mas a gente olha pro plantel e não vê muita opção de salvação. Agora com a lesão do Bruno Collaço, vai ser bem complicado (Gilson tem santo forte, heinhô). No ataque, Borges está numa maré de azar. Gabriel parece com a cabeça na Grécia. A dupla de zaga chega a dar medo e isso tem repercutido até nas atuações do nosso goleiro de Seleção. E o meio-campo é Douglasdependente, quando o nosso camisa 10 não puder jogar, vai ser só sofrimento.
Do jeito que eu coloco parece desolador. Mas estou apenas sendo realista. O Tricolor conseguiu ficar em segundo, no -teoricamente- grupo mais fácil da Libertadores. Perdeu a oportunidade de decidir as partidas no Olímpico, que todo mundo sabe, faz a diferença. Vale apostar na garra? Claro que sim. Na garra, na raça, na Imortalidade, em todas essas coisas que o Grêmio carrega com seu nome. Mas sabemos que sem um time decente, fica difícil.
Sempre vem à mente a Libertadores de 2007. Time revertendo resultados, ganhando na raça, mesmo sendo unânime que o elenco era no máximo bom e entrosado. O que aconteceu na final, quando pegamos o Boca, com Riquelme comandando? Todos sabem. Não adiantou de nada jogar a segunda em casa, já tínhamos levado um pacote na Argentina. E olha que comparando jogador a jogador, o time de quatro anos atrás é melhor que o de agora.
Portanto, a Libertadores de 2007 foi emocionante, de repente o melhor campeonato que eu já vi o Grêmio fazer. Tanto pela torcida, pelos jogadores, pelas partidas. Mas não. Não quero passar por aquilo de novo. Esse ano eu quero um time que entre em campo e eu veja que tem condições de ganhar. Contar com a Imortalidade? Só para motivar torcedor, porque no gramado, eu quero ver futebol de vencedor.