sexta-feira, 30 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (11) Jogos Memoráveis

Todo jogo é especial, é memorável de algum jeito. Claro que tem aqueles com algo a mais. No meu caso, em 59 idas ao Olímpico, posso dizer que sete delas são muito marcantes. Umas pelas circunstâncias; outras pelos protagonistas; algumas pelo histórico.
 
O primeiro jogo, claro, é inesquecível. Já contei no primeiro capítulo, mas foi aquele 4x0 sobre o Corinthians, em 2002. Dez anos atrás. Uma situação diferente, de ir a um lugar e de cara se identificar com o ambiente. Se sentir parte daquilo. Ali tudo começou...
 
Já em 2006, como também já especifiquei, meu primeiro Grenal. Um jogo de adrenalina, que para mim representava uma vitória só ter ido, já que era considerada uma partida de alta periculosidade (foi difícil ganhar permissão para ir). Mesmo tendo perdido, valeu a pena.
 
Alguns dias mais tarde, jogo no meu aniversário. Era ganhar e estar classificado para a Libertadores 2007 (a mais emocionante de todas). Grêmio 3x0 Flamengo. Depois da Batalha dos Aflitos, mais um presentão do Tricolor em 26 de novembro.


2006: Geral e a faixa com o dia do meu aniversário *-* hahaha
Em seguida, 2007, meu primeiro jogo de Libertadores. O Grêmio precisava ganhar para avançar às oitavas. Mano Menezes tira o Everton do banco e o guri faz o gol. Vixi.
 
Então chegou 2009. 19 de julho de 2009. Um dia antes, 18, o clássico Grenal completava 100 anos e, por coincidência ou destino, um Grenal estava marcado. Foi bacana estar presente no jogo do Centenário do clássico. E ainda mais ter vencido o jogo. Grêmio 2x1 Inter, com gols de Souza e Maxi Lopez.

Grenal dos 100 anos
Em 2010, meu primeiro título no Olímpico e único. Final do Gauchão, em Grenal também. O Grêmio perdeu, mas é aquele negócio de jogar com o regulamento. O primeiro jogo tinha sido 2x0 a nosso favor e a taça ficou no Monumental. Acabar o jogo e tu acompanhar a volta olímpica e a entrega da taça é indescritível. Na saída ainda comprei uma faixinha de tecido tnt “Campeão Gaúcho 2010”.

Final do Gauchão: o título que eu vi no Olímpico
Por fim, como também já citado, Grêmio 4x2 Flamengo, em 2011. Pela circunstância, a energia da torcida, a virada, os gols... Show de Bola.
 
Com certeza o Grenal de domingo estará na lista de jogos memoráveis. Independente de resultado será a última vez no Olímpico. E, não tenho dúvidas, terei uma baita história para contar. Como deu para perceber, apenas uma das partidas inesquecíveis terminou com taça. Isso é algo que eu espero da Arena: que eu possa ver muito mais jogos históricos, mas recheados com faixas e troféus.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (10) Jogadores e ídolos

Jogadores. Parte importante de um estádio. O Grêmio realizou há pouco uma votação para eleger a Seleção do Olímpico. Confesso que não vi a maioria jogar. Mas, nesses anos de Monumental, presenciei vários jogadores entrarem no gramado. Alguns até melhor se não tivesse visto.

Meu primeiro ídolo, como já disse, foi o Rodrigo Fabri. #VIXI! Mas isso porque ele era o destaque quando fui a primeira vez no Olímpico e naquele jogo marcou três gols. Depois dele, foi a vez da idolatria ao Galatto. Sim, herói da Batalha dos Aflitos. Vi dois jogos dele. Em seguida veio o Herrera, que eu tenho certeza que no jogo contra o Corinthians, em 2006, comecei o grito chamando por ele (que estava na reserva), que tomou conta do estádio. Eu acho que foi. Ele sempre entrava no segundo tempo e fazia gol.

Já fui querendo ver Saja, Réver, Escudero, Victor, Douglas... Mas, por ironia do destino, meu ídolo de verdade, o Diego Souza, eu vi apenas duas vezes. E uma vez no time adversário, em Grêmio 1x1 Vasco, em 2011. Não tive o privilegio de ver um gol dele no Olímpico, ao vivo.


Foto tremida, mas é ele ali (até fiz uma seta para identificar hahaha)

Além disso, vale citar os jogadores de nome que pude ver in loco. Ronaldo, o fenômeno. Um jogo emblemático. Grêmio 3x0 Corinthians, em 2009. Tinha acabado de rolar aquele caso com o travesti, que faleceu. Ronaldo em campo. A torcida fez faixa em “homenagem” e uníssona cantou na hora do minuto de silêncio “Ronaldo viúúúvo”. Tenso. Fora isso, brinco que fui ao estádio e não vi Ronaldo, pois não tocou na bola. Ainda bem.

Outro jogador de renome que vi ao vivo foi Ronaldinho Gaúcho. Sim, esperei muito vê-lo com a camisa do Grêmio, admito. Fiquei muito chateada com o final triste da novela. Mas, enfim. Grêmio 4x2 Flamengo. Um dos meus jogos memoráveis. A MAIOR vaia que já ouvi no Olímpico no anúncio da escalação no telão. Notinhas falsas de dinheiro com a cara dele. Foi muito louco e o Grêmio perdendo. Que virada. Foi de lavar a alma. E mais uma vez, um baita jogador em campo, mas não vi tocar na bola. Obs: também vi R. Gaúcho em Grêmio 0x1 Atlético MG. Claro, as vaias pegaram novamente. Mas nada comparado ao choque do primeiro encontro.

Em 2012, Grêmio x Santos, Neymar em campo. Pode ser considerado como de renome, pois até com Cristo foi comparado. Tirando polêmicas de lado, outra cena emblemática do Olímpico: Neymar e Pará se envolveram em confusão e o camisa 11 dos Santos foi expulso. A cena do jogo foi a saída dele de campo. Pequenininho (parecia menor do que é), saindo calado e 45 mil gritando “pipoqueiro, pipoqueiro”. Neymar ficou menor ainda perante o Monumental em chamas. Mas, não posso deixar de falar do início do jogo. Quando ele entrou para aquecer, todas aquelas criancinhas que ficam no meio do gramado (ou ao menos deveriam ficar) esperando os jogadores entrar, saíram correndo para abraçá-lo, tirar foto e pegar autógrafo. E ele, super atencioso, pacientemente atendeu a todos.

Claro que tiveram inúmeros outros jogadores, com até menos nome, mas que dava vontade ou medo de ir pro estádio ver jogar. Sinto por não ter tido a sorte de ver os grandes jogadores, com títulos e história, como os da Seleção do Olímpico. A torcida fica para que a imponência da Arena reflita no desempenho dos atletas do Grêmio que pisarem no gramado dela. Sejam eles de nomes conhecidos ou apenas de vontade aparente.

Agora sim: imagem boa do Diego Souza no Olímpico, com a camisa Tricolor (e não sei de quem é a foto)

* Um adendo

É um capitulo de ídolos e jogadores, mas cabe lembrar da Deborah Secco no estádio. Foi em 2008, quando o Roger jogou no Grêmio. Seguidamente ela assistia às partidas na Tribuna de Honra. Ganhou camiseta tricolor com o nome dele e até desfilou no lançamento dos uniformes da temporada. Num dos primeiros jogos dela no Olímpico, eu estava nas cadeiras e vi a muvuca de torcedores e repórteres embaixo da tribuna. Também muito atenciosa abanou e posou para as fotos de todos.
 
Galera enlouquecida com a Deborah e ela super atenciosa (também, ganhou camiseta e Tribuna de Honra)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (9) Comida

Capítulo sobre as comidas de estádio. Talvez o que eu mais gostei de escrever. Descobri esse novo hobby de uns tempos pra cá.. A culinária, mas a parte de degustar/saborear, fazer as receitas não é bem a minha praia. Pois bem, voltemos ao Olímpico. Assim como cinema, teatro, qualquer lugar que se vá para assistir algo, estar acompanhado de comida é algo fundamental. No estádio não é diferente e as opções são inúmeras.
 
Isso inicia no começo da viagem com as guloseimas no carro. Mas o melhor mesmo é quando se aproxima do Monumental. Vixi. Tu sabe que está perto quando começa a sentir aquele cheiro do espetinho. Quando tu estaciona longe, então, percorre um caminho de desvios dos carrinhos de churrasquinho e de cachorro-quente. Fora os vendedores de água, refri e cerveja com álcool [que não está mais disponível dentro do estádio]. Mas esses alimentos serão degustados depois.
 
Ao entrar no estádio, principalmente na Social, depois de catar um lugar, tu começa a ser perseguido pelos vendedores ambulantes. Pipoca doce e salgada (que já está custando R$ 5, o preço de dois pacotes de micro-ondas. Se bem que vem numa caixinha bonitinha do Grêmio); amendoim (que a galera come e vai atirando as cascas no chão ou nas pessoas sentadas na frente); salgadinhos; picolé (que muita gente compra no inverno); isso tudo surge numa avalanche (bem apropriado) e se estende durante todo o primeiro tempo. Normalmente, atrapalhando em lances decisivos. O maior problema de tudo isso, e já aconteceu, é quando tu compra uma pipoca salgada, naqueles jogos de domingo à tarde, próximo do, ou no, verão, e não adquire uma bebida junto. A Lei de Murphy se impõe e magicamente todos os vendedores de água/refri somem do mapa. Acontece.


Olha ali óóó: a pipoca na caixinha do Grêmio *-*
Há também os vendedores de cachorro-quente. Normalmente se vai ao bar buscar, mas já tem aqueles que levam no teu lugar, cobrando um real a mais. Um real!! Reservei dois parágrafos apenas para o cachorro-quente, porque é digno disso. Divino. Embora consumido apenas no setor das cadeiras, por questões de logística e falta de coordenação. 40 minutos do primeiro normalmente é o horário de buscar o cachorro-quente no bar das cadeiras. Aí não pega fila e dá tempo de pegar o início do segundo tempo no teu lugar. Apesar de que, nesse bar, tem um telão ligado no PFC, no qual tu consegue assistir o jogo (com delay, mas consegue).
 

Bar das cadeiras aos 39 do segundo tempo: atendentes assistindo no telão com delay hihihi
Como a história das catracas, com o cachorro-quente também ocorreu um fato inusitado. Foi em Grêmio x Caxias, em fevereiro do ano passado. Que jogo! Final do primeiro turno do Gauchão, a Taça Piratini. 2x2 no tempo normal, Grêmio empatando aos 52 minutos. E pênaltis. Vencemos por 4x1 nas cobranças. Mas voltemos ao cachorro-quente. Era quarta-feira de cinzas. Católicos não comem carne nesse dia que marca o início da Quaresma. Então.. Jogo à noite, não tinha jantado e a opção no estádio era o cachorro-quente. E a salsicha?? Pois bem, fui até o bar, solicitei um cachorro e um refri (o combo é mais barato). Peguei a bebida e me dirigi ao alimento. Ao entregar o canhotinho para a moça, ela me pergunta: “vai querer com duas salsichas??”. “Huum, na verdade eu quero sem salsicha!”. “Aah, tu não come carne?”. “Até como, mas só hoje não posso, é quarta-feira de cinzas!”. Olhar intrigado.“Botei mais batata-palha, então”. Eu normalmente não peço ervilha, mas nesse dia me obriguei. Ia pagar só o pão e o molho. Mas mesmo assim, estava bom aquele cachorro-quente. Vixi.

O Saboroso; O Perfeito; O Divino: O Cachorro-Quente do Olímpico (esse com salsicha)
Depois do jogo, há várias opções. Shopping, Habib’s, Mc Donald’s, Paradão 22 (normalmente lotado de gremistas que retornam para cidades mais distantes). Bom mesmo é pegar o espetinho da churrasqueira no meio da rua. Aquele cheiro maravilhoso, da carne que a gente desconhece a procedência, mas que só pela vitória do Grêmio já vale a pena. Mesmo que uma vez tu tenha se engasgado com a farinha do espetinho no meio da calçada, como no meu caso.

Eu sinceramente não sei como será a Arena nesse quesito. Provavelmente seremos contemplados com inúmeras opções de bares. Mas espero sinceramente que o encanto dessas comidas de estádio mais singelas não se perca. A inovação e a grandiosidade da nova casa não necessariamente precisam refletir na culinária característica desses locais, que quanto mais simples, mais saborosa é.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (8) Saída do Estádio

O juiz ergue o braço e apita o final do jogo. Hora de ir embora. Daí depende muito, mas ou se sai feliz, cantando o hino que toca no alto-falante do estádio; ou sai todo mundo de cara emburrada; uns xingando do faxineiro ao presidente (Essa situação às vezes gera discussões entre torcedores. Às vezes, no meio do jogo também, brigas que são separadas pelos outros torcedores, a turma do ‘deixa disso’).

Se bem que quando o jogo acaba muita gente se avança para sair logo. O melhor é esperar desafogar, porque igual tu fica amassada contra pessoas que tu nem conhece. Do lado de fora tu caminha até o teu carro. E surge o guardador demonstrando que está tudo certo e querendo o dinheiro dele.


Bandeira imponente na saída do Olímpico
 
Tem também a opção de ir embora de táxi até o Shopping Praia de Belas, onde o carro ficou estacionado. É mais seguro. Teve um jogo que eu levei uma bandeira para o estádio. O Grêmio ganhou e eu saí enrolada na bandeira. Faceira. Chegamos no Praia de Belas para pegar o carro e entrei no shopping com a bendita bandeira. Eis que surge um segurança e me mandou guardar, pois não era permitido. Apenas camisetas, segunda ele. Chato, certo que era colorado.
 
O esquema de táxi também é bem complexo. Normalmente se sai aos 40 minutos dos segundo tempo para garantir o transporte. Numa dessas, final do turno do Gauchão. Grêmio (4) 2x3 (5) Inter. Grêmio perdendo o título. Decidimos ir embora. Só que, ao sair das cadeiras centrais, nos informaram o caminho e, ao invés de sairmos no pátio do Olímpico, fomos parar no meio da Social. Lotada. Abarrotada de gente. Decisão de pênaltis, já estávamos ali, vamos acompanhar também. E vimos o Grêmio sair na frente, deixar empatar e, quando ainda havia esperança, Adilson errar a cobrança. Inter Campeão Gaúcho, dentro do Monumental. Depois ter que sair toda amassada, no meio da galera. E o pessoal revoltado com a derrota, para o Inter ainda. Foi tenso

Indo embora: apesar de sair mais cedo do estádio, tu é presenteado com um pôr-do-sol

Outro fato foi meu primeiro jogo de Libertadores, à noite, indo de ônibus, em dia de semana, com chuva. Grêmio 1x0 Cerro Porteño, do Paraguai. Precisávamos vencer para ser primeiro lugar no grupo e avançar às oitavas. O tempo passando e eu pensava comigo: "não vim até aqui pra ver derrota". Eis que o Everton (Sim, ele, saído do banco) fez 1x0. Vixi! O jogo terminou lá pelas 23 horas. E tinha a volta a Montenegro. Chegamos às 2h30 da manhã, chovendo. E já era quarta-feira. Tinha aula de manhã. Acordei às 6h30, mas feliz. Aquela Libertadores foi muito emocionante.
 
Provavelmente na Arena não haverá problemas na questão de saída do estádio (quando a obra do entorno estiver pronta!). E eu sempre disse que uma das cidades mais beneficiadas com a nova casa foi a minha. Principalmente com a construção da BR-448, a Rodovia do Parque. Nosso tempo de viagem, tanto ida, como volta, vai diminuir bastante. Menos stress para chegar, menos problemas para ir embora. Sem precisar sair mais cedo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (7) Segundo Tempo

Mais 90 minutos de pé. O árbitro apita o segundo tempo. A bola rola e boa parte da galera ainda vai voltando do bar ou dos banheiros. No decorrer da segunda etapa, aqueles mais corneteiros pegam um jogador para santo e esperam ansiosamente o cara errar um passe pra começar a criticar. Não demora muito já tem uns pedindo: troca esse Fulano pelo Ciclano que não erra tanto e sabe cruzar.
 

Vista do Bar das Cadeiras, enquanto eu esperava na fila e perdia o início do segundo tempo :P
 
De repente, o jogador que estava sendo criticado a partida inteira faz o gol ou dá o passe para um. Isso normalmente acontece, para desmoralizar os críticos. A torcida toda pula e grita uníssona. No telão: GOL, GOOL, GOOOOL, GOOOOOOOOL, GOOOOOOOOOOL (nome do jogador). Aí tem aqueles que se abraçam; muitos que falam palavrão; os que ficam observando a avalanche; os que prestam atenção na comemoração dos jogadores; e aqueles que ficam com orelha grudada no radinho pra ouvirem quem fez o gol, se valeu, quem deu o passe...
 
Acontece também do gol ser invalidado. Impedimentos, faltas, irregularidades ocorrem, a bola entrou, mas o juiz anula. Frustrante. Tu já está pulando, vibrando, gritando, quando a galera começa a se olhar com pavor e indignada: “como assiiim?? Não estava não.. Juiz ***..” Chato isso. Daí tu olha e está a Geral fazendo a avalanche ao contrário. Criei a estratégia, depois de em um jogo, agora em 2012, ter comemorado três vezes sem ser gol. Foi em Grêmio 0x0 Coritiba, se não me engano. Agora sempre que a bola entra no gol eu olho pro bandeirinha e pro juiz antes. Complexos. Só pra garantir que a comemoração não será em vão.
 
Normalmente, também é nesse período que ocorrem as substituições. Todo mundo fica de olho. Quando o auxiliar corre em direção à linha de fundo na frente da Geral, a galera já fica ansiosa. E se ele chama quem a maioria queria, é uma festa só. Jogo parado, troca aceita. Jogador que sai é aplaudido (na maioria das vezes, hein). E assim segue. Se acontece outro gol é o mesmo tipo de comemoração.
 
Tem a parte do gol adversário. Acredite, mesmo no Olímpico isso acontece. E varia muito também. Mas na maioria das vezes é sair o gol do outro time e a galera do Grêmio já começa a cantar mais forte e incentivar o time.

Começa a questão da cera também. Resultado favorável e jogador caindo com câimbra, solicitando carrinho maca ou goleiro que sofre falta e se atira. E isso vale para ambos os times. Quando é do Grêmio, tudo bem; quando não é... Vaias, muitas vaias. Tem o carrinho maca também, que poucas vezes eu vi se movimentar, normalmente são dois tiozinhos que saem correndo carregando a maca dentro do campo. Nunca entendi a moral do carrinho, qual é a logística, talvez por isso sempre comentei que aquele é um dos melhores lugares no estádio para se assistir o jogo.
 
Aaah, e tem os acréscimos. A revolta com o juiz que após cera técnica dos jogadores do outro time dá apenas três minutos a mais; ou se o Grêmio está ganhando por um gol de diferença, com dificuldade, o árbitro sinaliza mais cinco minutos. É difícil.
 
Aquela coisa nos cinco minutos finais: se teu time está ganhando de 1x0, o adversário pode empatar a qualquer momento; se o adversário ganha de 1x0, parece impossível teu time empatar. O segundo tempo é a etapa da emoção. Das viradas espetaculares ou das viradas decepcionantes. Dos pênaltis que dão títulos ou garantem vagas, ou daqueles que acabam com o sonho. É o período em que a impaciência toma conta ou a ansiedade se manifesta. Haja coração. (momento Galvão Bueno) Ainda mais quanto tu torce pro Grêmio, campeão das viradas no finalzinho.
 
E fim de jogo.
 
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26 de novembro. Data triplamente especial e que precisava ser lembrada aqui no blog.
  • Eu completo vinte e um anos; :) 
  • A Batalha dos Aflitos completa sete anos;
Sim, é título da Série B, admito. Vergonha lembrar isso ou comemorar? Eu não acho, por mais que colorados principalmente digam que é. Eu comemoro o roteiro, como foi, e não o título em si. E sim, foi um baita presente de aniversário...
  • O Volume de Jogo completa três anos;
Decidi que o primeiro post do meu blog seria divulgado nesta data. Era uma quinta-feira. Eu já vinha a algum tempo pensando em ter esse espaço, mas sobrava preguiça. Na quarta de noite resolvi criá-lo. Fiz todos os procedimentos e agora, o nome! Eu estava assistindo LDU 5x1 Fluminense, no primeiro jogo da final da Sul-Americana daquele ano. Pensava, pensava e não conseguia chegar a um nome. Até que o jogo foi para o intervalo. E fiquei acompanhando o que diziam os comentaristas, provavelmente conseguiria pegar alguma expressão típica do futebol. E foi aí que ouvi: "volume de jogo". Sim, era isso! Assim foi batizado meu blog, em 2009. 


domingo, 25 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (6) Primeiro Tempo e Intervalo

E o árbitro apita, a bola está rolando no gramado. Eu precisava começar esse capitulo assim. Início de jogo e começam aqueles gritos de “Vamôô sentar”, oriundos daqueles tiozinhos que vão ao estádio ainda com o sonho de olhar o jogo sentados na Social. Normalmente ninguém senta e tu olha o jogo todo em pé, equilibrado em cima do banco.
 
No apito do juiz, quando os jogadores tocam a bola a primeira vez, é interessante parar e acompanhar a reação dos torcedores: alguns fazem sinal da cruz; outros olham para o céu; tem gente fechando os olhos; e aqueles que aplaudem “Vamôô Grêmio”. É legal de ver. E o jogo segue. Normalmente a galera aguarda aquele jogador adversário odiado tocar na bola para vaiar, mas também tem os corneteiros que esperam ansiosamente algum jogador do Grêmio errar um passe para pegar no pé aqueles que serão desmoralizados se esse jogador fizer gol. E o jogo transcorre. Muitos palavrões, voltados tanto aos jogadores quanto ao juiz; galera indignada com os passes errados... Tem o “uuuhh” também. Aquela expressão de quase gol, acompanhada de mãos na cabeça.
 
E o gol propriamente dito? Bom, deixarei para falar nisso no capitulo 2° tempo. Não que não saiam gols no 1° tempo, mas normalmente a segunda etapa é a mais decisiva. Isso é justificável até pela preferência do Grêmio, que quase sempre na hora do sorteio do lado do campo escolhe atacar para o lado da Geral no 2º tempo, quando é mais provável estar perto da avalanche.
 
Pois bem, agora ficou bem relativo de escrever. O árbitro encerra o 1º tempo e, obviamente, o resultado reflete e a reação dos torcedores. Se bem que, mesmo com vitória, sempre tem um ou outro que corneteia. Mas, normalmente a arbitragem sai vaiada, os jogadores do time adversário também e os do Grêmio aplaudidos.
 

Intervalo de jogo: galera aguardando o início da segunda etapa, no meu último jogo na Social :/
Hora do intervalo. Hora de sentar (para quem está na Social) ou de esticar as pernas (para quem está nas cadeiras). Hora de comer; de discutir os erros da escalação; a ruindade de certo jogador; a falta que outro faz; o impedimento mal marcado. Hora de acompanhar no telão os aniversariantes do dia na pista atlética; a promoção da Paquetá, com a galera enlouquecida com as carteirinhas para cima (“Parabéééns, você ganhou R$ 100 para trocar por produtos Topper”, grita o locutor).
 
Momento do bar e do banheiro. Filas, filas e filas. E se tu não foi antes, provavelmente vai perder o inicio do 2º tempo. Falando assim é o caos. Mas lá no estádio não é ruim, não. Ainda mais se o Grêmio está ganhando. Interessante é pensar que na Arena terá toda uma estrutura diferenciada e esses problemas não serão tão frequentes (se existirem). Difícil pesar os dois lados da balança. O conforto da nova casa versus aquele encantamento do Velho Casarão. A verdade é que a gente vai sentir saudade até das dificuldades e dos problemas, com certeza.

sábado, 24 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (5) Pré-Jogo

Dentro do estádio, a procura pelo melhor lugar e, enfim, sentar e começar a observar à tua volta: a Geral que vai ingressando no estádio pulando; a família que chega e se acomoda com almofadinhas; os vendedores que gritam (chocolate, coco, abacaxi, limão e uvaaaaa); o senhorzinho que ainda traz o velho radinho que deve tê-lo acompanhado em muitos jogos (e títulos); o casal que chega de mãos dadas com as camisetas iguais; aqueles que enquanto todos estão sentados ficam de pé com um celular na mão e a outra abanando tentando achar um amigo que está por ali ou até mesmo em outro setor do estádio.
 
Tem também a torcida adversária, que sempre em menor número tenta fazer mais barulho, mas é abafada pelo grito de ‘uuuuh’ da massa gremista; os amigos de longa data que sentam e já ficam corneteando o time, o técnico, seja lá quem for antes do jogo; os pais com seus filhos no colo ou pela mão, orgulhosos de estarem trazendo seus rebentos pra acompanhar o time, do mesmo modo que provavelmente seus pais faziam quando eram pequenos; aqueles que trazem cartazes de casa e passam de um portão ao outro levantando-os como se fossem troféus e se orgulham dos aplausos do resto da torcida; e vários outros personagens que são muitos para citar em um post.
 
Depois de tudo isso começa a vaia coletiva. É fácil saber: os árbitros estão entrando em campo para checar tudo. Em seguida, o telão para de passar propagandas, surge no alto-falante a voz do locutor: "Banrisul informa: escalação do (time adversário)". Vaia coletiva de novo. Após: "Grêmio Mania informa: escalação do time do Grêmio" com mais ênfase. A maioria da torcida levanta e faz festa. Jogador por jogador tendo seu nome citado e aplaudido pela torcida, até o técnico.
 
Abro um parêntese. Já estive em jogo, foi em Grêmio 2x1 Fluminense, em que o técnico adversário foi ovacionado e o do Grêmio vaiado. Fácil explicar. Na outra casamata estava Renato Portaluppi; na nossa, Celso Roth. Era em 2008, ano em que fomos vice do Brasileirão. Mas Felipão e Cuca também já foram aplaudidos mesmo jogando contra. Fecho parêntese.
 
Quando comecei a ir ao Olímpico, eram dois telões compridos, nos quais só aparecia o nome da galera. Depois instalaram aquele enorme ao lado da Geral, que fica passando vídeos e propagandas. A escalação agora ficou mais bacana, porque aparecem os jogadores fazendo poses e caretas (tipo na escalação em transmissão de jogos importantes da Globo).
 
Na escalação do telão outras duas coisas são bem curiosas de se observar: a primeira é no time adversário, o melhor jogador é sempre o mais vaiado, mesmo que a torcida não tenha nada contra ele. Basta ser destaque. Outro fato é quando não tem a foto do jogador no telão e fica aquela coisa em branco. "Ué, o "Fulanonão veio??".
 
Este momento é encerrado com o anúncio dos nomes dos árbitros (que são vaiados também). Espera-se mais um pouco. Talvez desfrutando um picolé, um refrigerante ou pipoca. E então depende muito da ordem de entrada. Mas na maioria das vezes o rádio anuncia: "(nome do jogador) dá o último recado e o Grêmio vem a campo". Quem estava sentado levanta e todo mundo aplaude no momento em que os jogadores dão as mãos no meio do campo e levantam-nas ao céu. Uma criançada corre de volta ao vestiário. Durante este momento, o time adversário aproveita e adentra o gramado para evitar a vaia. Os que não fazem isso, é inevitável, são recebidos por um ‘uuuuuuuuuuh’ intimidador.
 
Criançada organizada no centro do gramado esperando os jogadores
Mais um parêntese. No pré-jogo tem também a parte do aquecimento. Goleiros do Grêmio aplaudidos; jogadores do adversário vaiados, quando fazem o reconhecimento do gramado. Outra questão importante são as criancinhas que deveriam ficar no meio do gramado para receber os jogadores, mas que saem correndo para dar a mão a eles, e sempre acabam deixando um ou outro sozinho. Fora que tem umas gurias que aparentam ter mais de 12 anos, idade permitida para estar em campo. invejinha. Fecha de novo.

O primeiro jogador pisa no campo: debandada geral hahaha
Neste momento o rádio já está ligado há um tempão, já anunciou a escalação, o banco (é engraçado quando todos vão ao estádio na esperança de ver um jogador em especial, e o rádio anuncia que ele não está nem no banco; todo mundo começa a se olhar e perguntar: por quê?) e essa é uma das horas em que se faz amizade, porque as pessoas que estão perto de ti começam a puxar papo, a debater e criticar as escolhas do técnico.
 
A bola está no centro do gramado, o juiz apita e ela rola.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (4) Chegada ao Estádio

Bom, chegamos ao estádio. Hora de enfrentar os flanelinhas, o engarrafamento, a galera correndo no meio da rua. Mas, seja por qual via que tu entre, é bacana ver aqueles grupos de gremistas se encaminhando por estádio, as famílias, aqueles que fazem churrasco na praça ali perto. Nas ruazinhas próximas, surgem aqueles tiozinhos correndo, oferecendo vaga de carro. Para, pergunta o preço. “É 15 pila, doutor”. “Não, muito caro, faz por 10”. Aí segue, de carro, o tiozinho a pé, pra chegar na vaga. Quando vê, ou é na esquina, ou na frente de garagem, ou em cima da calçada. Na pressa, já rolou deixar o carro nessas condições.

Ou uma vez que o carro ficou em uma garagem, lá no fundo. Saímos antes do estádio pra não pegar o engarrafamento da saída, e adivinha?? O carro estava trancado lá dentro. Tivemos que esperar meia hora depois do jogo acabar para os donos dos carros da frente aparecerem e liberarem o caminho. Histórias do Olímpico.

Caminhar até o estádio. Essa é a hora de passar pela galera bebendo, aquele empurra-empurra, cachorro-quente, espetinho de gato, cambista “olha a arquibancada e cadeiraaaa”... Dependendo do horário, se passa na GrêmioMania para ver as novidades. Ou entra direto na fila para acessar o interior do Olímpico. A fila, mulheres de um lado, homens do outro. Passar pela revista. Aqui vem uma pergunta que eu sempre me faço: por que as mulheres levam bolsas gigantes, cheias de bolso e coisas dentro pro estádio? Bah, demora meia hora até a soldada verificar. O negócio é colocar o essencial nos bolsos do casaco e da calça.

Outro fato surreal ocorreu em um jogo de noite, agora não recordo qual. Estava eu me encaminhando para a revista, quando um cara fura a fila feminina. O amigo que estava com ele: “Cara, a entrada é pelo lado de cá”. “Meu, eu quero ser revistado por mulher, né??”. Todo mundo teve que rir.
 

Vista do bar das cadeiras: galera chegando no pátio do Monumental
Aaah, outra história de entrada do Olímpico ocorreu em setembro de 2006. Eu estava acostumada a ir pro jogo e comprar na hora a entrada de acompanhante de sócio. E pela primeira vez chegamos e estava esgotada. Tenso, pensa o desespero. Ter vindo de Montenegro e ter que voltar. Eu, meu tio que é sócio e meu primo que na época tinha nove anos e entrava de graça. Claro, era isso. Até 12 anos, passava por baixo da catraca e não pagava. O combinado era que meu primo ia passar e depois eu tinha que me abaixar e ir. Siiim, eu com quase 15 anos, quase 1m80, passando embaixo da catraca. Muito tenso. Mas fui, não ia voltar pra casa e perder o jogo. O guri passou e lá fui eu, toda dobrada. Quando passei por baixo, a tiazinha que controla já gritava: “Não, não, pode voltar, tu não tem 12 anos!!!”. A cena era: um fluxo imenso de pessoas tentando entrar no estádio e eu voltando, no sentido inverso, atrapalhando tudo. “Mas moça, não tem mais ingresso”. “Ah, não adianta, tem que falar com o responsável, é aquele ali”.
 
Fomos falar com o cara. Meu tio explicou que era sócio, que tínhamos vindo do interior e que não podia me deixar do lado de fora. Eu me propus a pagar para ele a entrada, pois a minha intenção era ver o jogo, não calotear o Grêmio. Ele disse que não podia cobrar, que era tudo computado. Mas ficou com pena e me deixou entrar de graça. Fomos até a catraca da discórdia e ele autorizou a minha entrada. Sim, entrei sem pagar. Naquele jogo, tenho certeza, o número do público total informado estava errado, pois faltava eu. No fim, deu tudo certo. E vi o Grêmio ganhar do Botafogo por 4x0. Eles é que tinham que me agradecer.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (3) Viagem Até o Monumental

A viagem até Porto Alegre leva em torno de 45 minutos. Em dias de jogo, até o Estádio, depende muito. Então, sempre nos programávamos para sair de duas a três horas antes. O legal dessas viagens é ir ouvindo rádio e discutindo a escalação e os últimos resultados. Além disso, quando tu entra na BR-386, a Tabaí, já vai vendo carros ao redor com bandeiras e pessoas dentro com camisas do Grêmio. Quando chega na BR-116, em Canoas, então... Passar buzinando por todos aqueles ônibus repletos de gremistas. Ou ficar preso no engarrafamento, calculando para ver se vai dar tempo de chegar. Ou então ouvir o pessoal na Rádio comentando que o público ainda é pequeno e responder: “calma, boa parte tá presa aqui”. Fatos.
 

De longe tu já percebe que está chegando ao Monumental

Teve uma vez, em Grêmio 3x0 Votoraty-SP que ficamos presos 2h30 no trânsito de POA. Era aqueles jogos de meio de semana, às 19h, véspera de feriadão. Deu né? Chegamos no intervalo, não vimos os dois primeiros gols, mas isso é o de menos.
 
Tsunami de gremistas e eu fiquei de fora
 
Entre idas e vindas ao estádio, um fato inusitado esse ano. Tinha que ser no último do Olímpico, para ter história para contar. Fiquei sabendo de tarde, no dia do jogo contra o Atlético-GO, que teria carona para ir; fiquei naquela angústia entre ir ao estádio ou ir à aula (que por sinal era importante, mas no fim não ganhei falta \o/); decidi me dar a noite de folga e aproveitar os últimos jogos. Então...
 
Quarta-feira, 20h30. Noite com temperatura amena, de primavera. Jogo contra um time na zona de rebaixamento, que ainda não havia pontuado fora de casa neste Brasileirão. Grêmio podendo dormir na liderança, com o retorno do Elano e do Gilberto Silva. Dia, horário, clima, adversário e fase, tudo isso alinhado favorecendo um baita espetáculo. Foi? Não sei, fui barrada na porta do estádio. Mas pelo que eu assisti na TV depois, li nos jornais e ouvi nas rádios, a torcida deu show. Também, mais de 46 mil pessoas. É, foi O evento.
 
Tudo estava conspirando para um grande jogo. Se duvidar, até os astros estavam alinhados. E buscando chegar ao recorde de público do campeonato, nossa direção elaborou uma promoção. Uma não. Quatro para ser mais especifica. Sócio tinha direito a um acompanhante, bem como quem comprasse ingresso; compras na Grêmio Mania, acima de R$ 150, davam um bilhete para acompanhar o jogo; e mulher entrava de graça. Já viu, né? Soltaram as palavras “grátis” ou “promoção”, o povo se atira Resultado? Um tsunami de gremistas tomando Porto Alegre na noite de quarta.

Povo que, como eu, ficou do lado de fora
Todos invadiram a capital gaúcha; 46 mil e mais alguns entraram no estádio; o restante, como eu, ficou no pátio. Depois de 2h40min de viagem que normalmente leva 1h30min pude acompanhar, do lado de fora, aqueles que tentavam insistir com os brigadianos e com o pessoal do Grêmio para entrar; ou torcedores que corriam de um portão ao outro na esperança de conseguir uma vaga lá dentro; ou os que aproveitaram para fazer turismo e tirar fotos na frente do Estádio ou com a bandeira de fundo; ou ainda os que saíram reclamando e xingando até a quinta geração da família do presidente. Foi bem frustrante chegar lá e não entrar.
 
Mas foi, também, uma experiência diferente, curtir o jogo pelo rádio, ouvindo cada lance pelos sons da torcida, do lado de fora. Ah, no fim, o Grêmio ganhou por 2x1 e foi sofrido. Apesar da maratona, de ter perdido aula, da decepção, como dizem os jogadores: "o importante é a vitória e somar os três pontos!".

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (2) Decisão de ir e Como Entrar

Da minha parte, a decisão não demora muito, não. É só ter em mãos as tabelas, que eu já estou preparada para o dia do jogo. Porém, como eu não dirijo, sempre fiquei na dependência de outras pessoas me levarem. Basicamente, eu já sei com antecedência quando há possibilidade de ir ao estádio ou não, porque isso depende muito do dia, hora, clima, adversário, competição, plantel... É uma equação complexa, que depende de vários fatores.
 
Admito que já enchi muito o saco, de muita gente para me levarem ao estádio. E antigamente ficava emburrada quando criava expectativa e não se concretizava. Hoje eu sei que, por mais que o time precise de apoio, todos os fatores citados acima são realmente relevantes. Principalmente para torcedores do interior, como eu, que precisam viajar. E também em relação a grana, porque querendo ou não, se gasta muito indo ao estádio, mesmo que tu seja sócio.
 
Aliás, essa questão também foi muito interessante em relação ao Olímpico. Quando comecei a ir mesmo ao estádio, em 2006, chegávamos lá e eu, que ia como acompanhante de sócio, comprava ingresso na hora, para a Social. Isso não durou muito. Se não me engano, foi em outubro desse mesmo ano, que de tanto incomodar, convenci meu pai a me associar, na modalidade Sócio Patrimonial Interior, que dava acesso sem ser preciso a compra de ingresso. Acreditem ou não, foi meu pai concordar com isso, para eu chegar em casa, acessar a internet e o presidente Paulo Odone anunciar o encerramento desses modelos de associação #FAIL
 
A busca pelas carteirinhas
 
Então, a partir daí, começou a terrível luta para conseguir carteirinhas. Sério, esse é quase um capitulo àparte. Logo no início até era mais fácil, mas de uns tempos pra cá, principalmente quando o Grêmio estava na Libertadores, era uma verdadeira jornada em busca de uma carteirinha, duas, três. Se fazia milhares de ligações, catando pessoas que não fossem ao jogo.
 
Aaah, no fim das contas me associei. Era aquele plano que tu pagava R$ 25 (se não me engano) mensais e tinha direito à metade do ingresso. Porém, um problema. Só dava acesso às arquibancadas e cadeiras. As pessoas que me levavam ficavam na Social, ou seja, eu ia ficar como sozinha no estádio?? Resultado: acreditem se quiserem, paguei um ano essa mensalidade sem ir uma única vez com minha carteirinha e cancelei, em 2008.
 
Aqui na cidade funcionava o sistema aluguel por jogo. Uma galera se ligando atrás de carteirinha, e quem não ia, alugava por partida. Até que, quando já havia desistido, surgiu a oportunidade de continuar pagando a mensalidade para um gremista que ia desistir da associação contribuinte (um Sócio Patrimonial, sem alguns privilégios, que pagava mais barato e entrava na Social #perfeito). Aceitei na hora, nem sabia como ia pagar, mas não podia perder a oportunidade. Na época, acho que comecei pagando R$ 45 mensais.
 
O interessante é que os funcionários do Grêmio nunca conferiam os nomes das carteirinhas. Entrei com diversos nomes, masculinos e femininos, já. Poderia ter uma crise de identidade. Mas enfim, fiquei uns três anos eu acho pagando essa carteirinha, até que ganhei uma cadeira central (Obs: devolvi a carteirinha contribuinte pagando R$ 53 mensais. Atualmente, fiquei sabendo que já está em 80 e poucos reais oO).


Minha cadeira lindona e personalizada *--* e o pé de alguém que estragou minha foto
 
A questão de valor realmente assusta. Cada vez mais caro e para jogos contra adversários que não valem nem metade do preço. E isso tende a piorar com a Arena. Claro, é óbvio, que no novo estádio teremos muito mais conforto, mais comodidade e que esse acréscimo de qualidade não viria de graça. Mas quando o ingresso mais barato é a mensalidade de R$ 92, tu percebe a elitização. Uma pena para o esporte que se diz “do povo”.

Além disso, saber que tu vai pagar esse valor (ou mais) para ver aqueles jogos tristes de 1º turno de Gauchão é complicado. Espero que as mensalidades da Arena se paguem com várias finais na casa nova tomara.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (1) Introdução e Como Tudo Começou

Eu já vinha a uns dois anos planejando um post assim. Originalmente, seria uma homenagem ao Dia dos Pais, já que eu havia ido com meu pai ao Olímpico. Porém, a ideia acabou sendo totalmente reformulada e de um projeto, surgiram dois textos.

Fui deixando arquivado e quando me dei conta, agora em abril de 2012, de que esse era o último ano do Olímpico, achei que seria uma espécie de homenagem, uma forma de deixar viva a lembrança, enfim, vi que era hora de dar prosseguimento ao texto e postá-lo.
 
Uma das fotos mais perfeitas que eu já tirei *-* hahaha
  
O texto será dividido em etapas, como uma série, para não ficar tão maçante a leitura. O objetivo principal é deixar registrada a memória das vezes em que fui ao Monumental, aproveitando para compartilhar algumas situações habituais, que quase sempre se repetem nos jogos, e outras engraçadas. É uma forma de deixar registrado aquilo que aconteceu e, ao mesmo tempo, dividir com outras pessoas a emoção de estar no estádio do teu time.
 
No último ano do Olímpico, eu completei minha 50ª ida ao estádio. Foi na partida contra o Lajeadense, pelo 1º turno no Gauchão, no dia 21 de janeiro. Infelizmente, o Grêmio perdeu por 2x0. Esse era o time: Victor; Mário Fernandes, Saimon, Douglas Grolli e Julio Cesar; Fernando (Marquinhos), Léo Gago, Marco Antônio (Yuri) e Douglas; Kleber e Miralles (Leandro); treinado por Caio Jr.
 
Meu primeiro jogo no Monumental foi em 2002. Dia 08 de setembro, mais precisamente. Ganhamos de 4x0 do Corinthians, com três gols do Rodrigo Fabri e um do Rodrigo Mendes. Jogavam: Danrlei, Adriano, Gilberto, Pedrinho, Roger, Ânderson Lima (Gavião), Emerson, Fernando (Rodrigo Mendes), Rodrigo Fabri (Élton), Tinga e Adriano Chuva e o técnico era o Tite.


Camarotes em Grêmio 3x0 Flamengo, em 2006

Lembro como se fosse hoje, chegar no estádio e ir aos camarotes. Sinceramente? Além disso, lembro, na verdade, do cachorro-quente que eu comi e do picolé que eu ganhei do presidente da Federação Gaúcha de Futebol da época, Emídio Perondi. Me achei muito importante hahaha Também recordo de, sentada nas cadeiras do camarote, ver os braços das pessoas que estavam à frente, nas cadeiras centrais, levantando na comemoração dos gols. E só. Time, táticas, esquema de jogo, adversário, competição?? Nem sabia o que eram... Esse time do Corinthians tinha o Vampeta e era treinado pelo Parreira. Foi em 2002 que eu comecei a acompanhar futebol. E lembro que o Rodrigo Fabri foi meu primeiro ‘ídolo’ hahahaha
 
Depois desse jogo, só voltei ao Olímpico em 2005. Mais uma pausa e, aí sim, veio 2006. No domingo de Páscoa, não esqueço, seria a estreia do Grêmio no Brasileirão. Contra o Corinthians. Estávamos almoçando, quando começou uma movimentação de tio e primos para ir ao estádio. “Ah, eu vou também! Posso, mãe?”, eu disse. Ela não gostou da ideia. Lembro que alguém perguntou. “Por que não? Vamos junto sim”. “Então vai perguntar pro teu pai”. Corri no pai e ele deixou Uhul. E foi assim que eu comecei, definitivamente, minhas idas ao Olímpico. Vi o Grêmio ganhar de 2x0. A partir daí, no ano de 2006, fui a mais quatro jogos. Dois deles muito marcantes, ambos em novembro.
 
O primeiro, dia 05/11, meu primeiro Grenal no estádio. Pensa na emoção e no nervosismo também. Confesso que eu prestei muita atenção na torcida do Inter, morrendo de medo que derrubasse os tapumes e se juntasse com a Social hahahaha Ah, o Grêmio perdeu, infelizmente. O outro jogo marcante foi no dia do meu aniversário. 26/11/2006, estava completando 15 anos. Um ano antes, Batalha dos Aflitos. Agora, Grêmio x Flamengo e se o Tricolor ganhasse, garantia vaga na Libertadores 2007. Como na primeira vez, fui nos camarotes e vi o Grêmio meter 3x0. Mais um presentão.
 
Uma foto panorâmica do Monumental

Mas enfim, essa foi uma extensa introdução das minhas idas ao Olímpico. Um pouco de como tudo começou. Claro que existem inúmeras histórias relativas aos jogos, pois cada planejamento de jogo era realizado com muita antecedência, e muitas vezes dava um baita trabalho conseguir carona/conseguir alguém para me levar hahahaha
 
Então, nos próximos dias estarei postando uma espécie de guia do estádio. Situações comuns e engraçadas que quase sempre ocorrem. Essa é uma forma de homenagear o Olímpico, que no próximo ano não estará mais fisicamente presente. Sei que a Arena é necessária e com ela acredito que muitos novos anos de glória virão. Porém, não posso negar que sempre sonhei em levar meus filhos ao Olímpico, sentar com eles no concreto da Social e, depois, assistir ao jogo em pé hahaha Infelizmente, não conseguirei realizar, mas tenho certeza que a Arena será um novo começo para todos nós gremistas e os títulos que ganharemos ali compensarão a falta do bom e velho Monumental.
 
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Minhas estatísticas no Olímpico, não contando o Grenal da última rodada do Brasileirão 2012 (Siiim, isso é bem coisa de quem não tem o que fazer hahaha):

  • 59 jogos: 38 vitórias - 10 derrotas - 11 empates
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  • Partidas: 14 no Gauchão; 40 no Brasileirão; 4 na Libertadores; 1 na Copa do Brasil
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  • 71% aproveitamento
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  • Gols: 129 - pró / 47 - contra / 82 de saldo