segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (7) Segundo Tempo

Mais 90 minutos de pé. O árbitro apita o segundo tempo. A bola rola e boa parte da galera ainda vai voltando do bar ou dos banheiros. No decorrer da segunda etapa, aqueles mais corneteiros pegam um jogador para santo e esperam ansiosamente o cara errar um passe pra começar a criticar. Não demora muito já tem uns pedindo: troca esse Fulano pelo Ciclano que não erra tanto e sabe cruzar.
 

Vista do Bar das Cadeiras, enquanto eu esperava na fila e perdia o início do segundo tempo :P
 
De repente, o jogador que estava sendo criticado a partida inteira faz o gol ou dá o passe para um. Isso normalmente acontece, para desmoralizar os críticos. A torcida toda pula e grita uníssona. No telão: GOL, GOOL, GOOOOL, GOOOOOOOOL, GOOOOOOOOOOL (nome do jogador). Aí tem aqueles que se abraçam; muitos que falam palavrão; os que ficam observando a avalanche; os que prestam atenção na comemoração dos jogadores; e aqueles que ficam com orelha grudada no radinho pra ouvirem quem fez o gol, se valeu, quem deu o passe...
 
Acontece também do gol ser invalidado. Impedimentos, faltas, irregularidades ocorrem, a bola entrou, mas o juiz anula. Frustrante. Tu já está pulando, vibrando, gritando, quando a galera começa a se olhar com pavor e indignada: “como assiiim?? Não estava não.. Juiz ***..” Chato isso. Daí tu olha e está a Geral fazendo a avalanche ao contrário. Criei a estratégia, depois de em um jogo, agora em 2012, ter comemorado três vezes sem ser gol. Foi em Grêmio 0x0 Coritiba, se não me engano. Agora sempre que a bola entra no gol eu olho pro bandeirinha e pro juiz antes. Complexos. Só pra garantir que a comemoração não será em vão.
 
Normalmente, também é nesse período que ocorrem as substituições. Todo mundo fica de olho. Quando o auxiliar corre em direção à linha de fundo na frente da Geral, a galera já fica ansiosa. E se ele chama quem a maioria queria, é uma festa só. Jogo parado, troca aceita. Jogador que sai é aplaudido (na maioria das vezes, hein). E assim segue. Se acontece outro gol é o mesmo tipo de comemoração.
 
Tem a parte do gol adversário. Acredite, mesmo no Olímpico isso acontece. E varia muito também. Mas na maioria das vezes é sair o gol do outro time e a galera do Grêmio já começa a cantar mais forte e incentivar o time.

Começa a questão da cera também. Resultado favorável e jogador caindo com câimbra, solicitando carrinho maca ou goleiro que sofre falta e se atira. E isso vale para ambos os times. Quando é do Grêmio, tudo bem; quando não é... Vaias, muitas vaias. Tem o carrinho maca também, que poucas vezes eu vi se movimentar, normalmente são dois tiozinhos que saem correndo carregando a maca dentro do campo. Nunca entendi a moral do carrinho, qual é a logística, talvez por isso sempre comentei que aquele é um dos melhores lugares no estádio para se assistir o jogo.
 
Aaah, e tem os acréscimos. A revolta com o juiz que após cera técnica dos jogadores do outro time dá apenas três minutos a mais; ou se o Grêmio está ganhando por um gol de diferença, com dificuldade, o árbitro sinaliza mais cinco minutos. É difícil.
 
Aquela coisa nos cinco minutos finais: se teu time está ganhando de 1x0, o adversário pode empatar a qualquer momento; se o adversário ganha de 1x0, parece impossível teu time empatar. O segundo tempo é a etapa da emoção. Das viradas espetaculares ou das viradas decepcionantes. Dos pênaltis que dão títulos ou garantem vagas, ou daqueles que acabam com o sonho. É o período em que a impaciência toma conta ou a ansiedade se manifesta. Haja coração. (momento Galvão Bueno) Ainda mais quanto tu torce pro Grêmio, campeão das viradas no finalzinho.
 
E fim de jogo.
 
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26 de novembro. Data triplamente especial e que precisava ser lembrada aqui no blog.
  • Eu completo vinte e um anos; :) 
  • A Batalha dos Aflitos completa sete anos;
Sim, é título da Série B, admito. Vergonha lembrar isso ou comemorar? Eu não acho, por mais que colorados principalmente digam que é. Eu comemoro o roteiro, como foi, e não o título em si. E sim, foi um baita presente de aniversário...
  • O Volume de Jogo completa três anos;
Decidi que o primeiro post do meu blog seria divulgado nesta data. Era uma quinta-feira. Eu já vinha a algum tempo pensando em ter esse espaço, mas sobrava preguiça. Na quarta de noite resolvi criá-lo. Fiz todos os procedimentos e agora, o nome! Eu estava assistindo LDU 5x1 Fluminense, no primeiro jogo da final da Sul-Americana daquele ano. Pensava, pensava e não conseguia chegar a um nome. Até que o jogo foi para o intervalo. E fiquei acompanhando o que diziam os comentaristas, provavelmente conseguiria pegar alguma expressão típica do futebol. E foi aí que ouvi: "volume de jogo". Sim, era isso! Assim foi batizado meu blog, em 2009. 


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