sábado, 24 de novembro de 2012

“Até a Pé Eu Iria – Memórias do Olímpico” – (5) Pré-Jogo

Dentro do estádio, a procura pelo melhor lugar e, enfim, sentar e começar a observar à tua volta: a Geral que vai ingressando no estádio pulando; a família que chega e se acomoda com almofadinhas; os vendedores que gritam (chocolate, coco, abacaxi, limão e uvaaaaa); o senhorzinho que ainda traz o velho radinho que deve tê-lo acompanhado em muitos jogos (e títulos); o casal que chega de mãos dadas com as camisetas iguais; aqueles que enquanto todos estão sentados ficam de pé com um celular na mão e a outra abanando tentando achar um amigo que está por ali ou até mesmo em outro setor do estádio.
 
Tem também a torcida adversária, que sempre em menor número tenta fazer mais barulho, mas é abafada pelo grito de ‘uuuuh’ da massa gremista; os amigos de longa data que sentam e já ficam corneteando o time, o técnico, seja lá quem for antes do jogo; os pais com seus filhos no colo ou pela mão, orgulhosos de estarem trazendo seus rebentos pra acompanhar o time, do mesmo modo que provavelmente seus pais faziam quando eram pequenos; aqueles que trazem cartazes de casa e passam de um portão ao outro levantando-os como se fossem troféus e se orgulham dos aplausos do resto da torcida; e vários outros personagens que são muitos para citar em um post.
 
Depois de tudo isso começa a vaia coletiva. É fácil saber: os árbitros estão entrando em campo para checar tudo. Em seguida, o telão para de passar propagandas, surge no alto-falante a voz do locutor: "Banrisul informa: escalação do (time adversário)". Vaia coletiva de novo. Após: "Grêmio Mania informa: escalação do time do Grêmio" com mais ênfase. A maioria da torcida levanta e faz festa. Jogador por jogador tendo seu nome citado e aplaudido pela torcida, até o técnico.
 
Abro um parêntese. Já estive em jogo, foi em Grêmio 2x1 Fluminense, em que o técnico adversário foi ovacionado e o do Grêmio vaiado. Fácil explicar. Na outra casamata estava Renato Portaluppi; na nossa, Celso Roth. Era em 2008, ano em que fomos vice do Brasileirão. Mas Felipão e Cuca também já foram aplaudidos mesmo jogando contra. Fecho parêntese.
 
Quando comecei a ir ao Olímpico, eram dois telões compridos, nos quais só aparecia o nome da galera. Depois instalaram aquele enorme ao lado da Geral, que fica passando vídeos e propagandas. A escalação agora ficou mais bacana, porque aparecem os jogadores fazendo poses e caretas (tipo na escalação em transmissão de jogos importantes da Globo).
 
Na escalação do telão outras duas coisas são bem curiosas de se observar: a primeira é no time adversário, o melhor jogador é sempre o mais vaiado, mesmo que a torcida não tenha nada contra ele. Basta ser destaque. Outro fato é quando não tem a foto do jogador no telão e fica aquela coisa em branco. "Ué, o "Fulanonão veio??".
 
Este momento é encerrado com o anúncio dos nomes dos árbitros (que são vaiados também). Espera-se mais um pouco. Talvez desfrutando um picolé, um refrigerante ou pipoca. E então depende muito da ordem de entrada. Mas na maioria das vezes o rádio anuncia: "(nome do jogador) dá o último recado e o Grêmio vem a campo". Quem estava sentado levanta e todo mundo aplaude no momento em que os jogadores dão as mãos no meio do campo e levantam-nas ao céu. Uma criançada corre de volta ao vestiário. Durante este momento, o time adversário aproveita e adentra o gramado para evitar a vaia. Os que não fazem isso, é inevitável, são recebidos por um ‘uuuuuuuuuuh’ intimidador.
 
Criançada organizada no centro do gramado esperando os jogadores
Mais um parêntese. No pré-jogo tem também a parte do aquecimento. Goleiros do Grêmio aplaudidos; jogadores do adversário vaiados, quando fazem o reconhecimento do gramado. Outra questão importante são as criancinhas que deveriam ficar no meio do gramado para receber os jogadores, mas que saem correndo para dar a mão a eles, e sempre acabam deixando um ou outro sozinho. Fora que tem umas gurias que aparentam ter mais de 12 anos, idade permitida para estar em campo. invejinha. Fecha de novo.

O primeiro jogador pisa no campo: debandada geral hahaha
Neste momento o rádio já está ligado há um tempão, já anunciou a escalação, o banco (é engraçado quando todos vão ao estádio na esperança de ver um jogador em especial, e o rádio anuncia que ele não está nem no banco; todo mundo começa a se olhar e perguntar: por quê?) e essa é uma das horas em que se faz amizade, porque as pessoas que estão perto de ti começam a puxar papo, a debater e criticar as escolhas do técnico.
 
A bola está no centro do gramado, o juiz apita e ela rola.

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