Fernanda S. B.

No Grêmio, há um profissional auxiliando na formação de jogadores que, de alguma forma, acabam caindo no gosto dos torcedores. Todos eles atuam em uma posição que nem sempre é tão valorizada. Além de virarem ídolos dos gremistas, os goleiros Galatto (herói da “Batalha dos Aflitos”), Saja (destaque na Libertadores de 2007) e Victor (convocado para a Seleção Brasileira) têm mais alguma coisa em comum: ambos passaram pelos treinamentos de Francisco Cersósimo.
Sexta-feira, 24 de julho, possivelmente o dia mais frio do ano. O cenário é o Estádio Olímpico. Às 11h50 da manhã, após treino no campo principal, entra na sala de imprensa o preparador de goleiros Francisco Carlos Cersósimo, mais conhecido como Chiquinho. Vestindo jeans, tênis e jaqueta, senta-se em uma cadeira ali colocada e começa seu relato falando de seu tempo de Grêmio: “Eu tenho cinco temporadas aqui. Cheguei em dezembro de 2004, comecei na temporada de 2005, na segunda divisão.” Aos 43 anos, casado e pai de três filhos, este soteropolitano já é veterano no Olímpico. Trazido por Mário Sérgio (Pontes de Paiva – ex-jogador Campeão do Mundo pelo Grêmio), veio com a missão de tirar o Tricolor Gaúcho da Segunda Divisão. No começo, foi algo preocupante, pois o elenco gremista não continha um número suficiente de jogadores: “Foi um desafio muito grande. O Grêmio tinha seis jogadores, desses, dois eram goleiros e um deles foi embora. O único que ficou foi o Galatto com 21 anos. Na base havia o Marcelo, com 18, e o Cássio com 17. Porém, na época do Vitória eu havia trabalhado com vários goleiros jovens e tinha experiência nesse sentido.” relembra.
Chiquinho, aos 12 anos, começou a vida como goleiro e defendeu as cores do Bahia durante quase duas décadas. Porém, ao encerrar a carreira, trocou o Tricolor Baiano pelo arqui-rival, virando, assim, preparador de goleiros do Vitória da Bahia, onde trabalhou por nove anos. Atua neste ramo, segundo suas contas, há uns 16 anos. Formado em Educação Física, ele se mostra satisfeito com a escolha profissional: “Eu sempre gostei de lidar nessa área. Nesta função é preciso agir com amor, assim os frutos vêm. Porque esta tarefa é muito estafante, trabalhamos com o corpo e o dia a dia é muito desgastante. Se não é feito com amor, não anda.”.
Trabalhando há tanto tempo no Estádio Olímpico, muitos goleiros passaram por Chiquinho. Um deles foi Galatto: “Tive um prazer muito grande de trabalhar com o Galatto, tivemos muitas glórias juntos. Hoje ele está no Atlético Paranaense, mas é uma pessoa por quem eu tenho muito respeito e carinho.”. Sobre os goleiros com quem trabalhou, Francisco apenas elogia. Segundo ele, só teve alegrias: “São goleiros de personalidades e jeitos diferentes de se comportar. Graças a Deus, aqui no Grêmio, eu trabalhei com grandes profissionais e não tenho nada de ruim para falar a respeito do comportamento deles. Trabalhei com o argentino Saja, um excelente profissional. Teve o Galatto, o Cássio, o Marcelo e, agora, o Victor, que é um rapaz espetacular, muito concentrado.”. E sobre os técnicos com quem conviveu, também revela só coisas boas: “Não tenho nada para reclamar. Trabalhei com Hugo de León e Mano Menezes e foi maravilhoso. Celso Roth se deu muito bem. Com o Paulo (Autuori) agora também.”.
A BATALHA E O GUERREIRO
Tendo chegado em 2005, Chiquinho presenciou toda a campanha do Grêmio na Série B. E não há como falar na Segunda Divisão daquele ano, sem lembrar o jogo final, a famosa “Batalha dos Aflitos”, partida entre Náutico e Grêmio, na qual o Tricolor Gaúcho venceu com sete jogadores em campo e dois pênaltis contra, não convertidos em gol. Ele pode ser considerado um dos responsáveis pelo resultado favorável, já que foi quem indicou como deveria ser feita a defesa da segunda penalidade máxima: “No momento que antecedeu o pênalti, o treinador de goleiros me chamou e pediu que eu esperasse ao máximo para sair na bola, que eu iria defender. E foi o que aconteceu.” conta o goleiro Galatto em um dos DVDs lançados sobre esse jogo. Chiquinho trata esta partida como um jogo épico e que dificilmente será esquecido: “Às vezes estou conversando e sem querer falo nesse jogo. Estávamos bem, de repente jogadores foram expulsos, ocorreu um pênalti, depois outro. Um momento de nervosismo e tensão. E por incrível que pareça o Galatto sempre se manteve frio. Chamei ele e falei onde o jogador do Náutico poderia bater o pênalti. O Galatto foi frio, esperou e foi no lugar onde nós tínhamos combinado.”. Porém, discorda do fato de Anderson, que fez o gol, ser considerado o maior responsável pela conquista: “O grande herói do Grêmio naquele ano foi o Galatto. Até hoje a imprensa dá mais glórias para o Anderson do que para ele, que jogou todas as partidas e defendeu pênalti num momento difícil.”.
Com tanta experiência com goleiros, é inevitável ouvir a opinião de Francisco a respeito das convocações do técnico Dunga para a Seleção Brasileira. O preparador aprova a escolha dos três goleiros que foram para a Copa das Confederações e conta que já imaginava que Júlio César deveria ser titular: “O Dunga estava em dúvida, botou o Helton, o Doni, vários goleiros e não tinha dado chance pro Júlio César. Eu falei para os colegas aqui no Grêmio que o melhor goleiro era o Júlio. Passaram uns meses, ele entrou e jogou bem, então vieram me falar: bem que você avisou.” “Se eu fosse convocar hoje? Eu colocaria Júlio César, Victor e Gomes, os três que o Dunga levou para a Copa das Confederações.” revela.
Francisco Carlos Cersósimo se define como um homem trabalhador, que preza a dignidade, e, pelo jeito, são qualidades unânimes entre as pessoas de seu convívio. O segurança Luiz Carlos cita apenas coisas boas: “Ele é uma pessoa muito educada, gente fina, bastante amigo, bom profissional e um grande colega.”. O assessor de imprensa, Vítor Rodriguez, vai mais longe e aproveita o fato de serem colegas de quarto nas concentrações para falar tanto do lado profissional, como do pessoal de Cersósimo: “O Chiquinho é um dos profissionais mais corretos que eu conheço. A referência principal dele é em relação ao seu trabalho e ao seu profissionalismo. É um cara tranquilo, que busca sempre o perfeccionismo e está sempre atento a todos os detalhes. Preza pelo profissionalismo, pela dedicação o tempo inteiro e cobra muito isso dos atletas. É uma pessoa exemplar.” O preparador de goleiros enfatiza o gosto pelo trabalho e demonstra como está feliz de estar por aqui: “Sou uma pessoa que ama a família, que trabalha com amor, com carinho e que gosta muito de viver o futebol. Alguém que preza o respeito e que quer ser feliz o tempo todo. Só tive alegrias aqui no Grêmio e espero continuar a tê-las.”. A torcida com certeza também espera.
FRANCISCO, O CHIQUINHO...
- Nome: Francisco Carlos Cersósimo
- Idade: 43 anos
- Data de Nascimento: 3/3/1966
- Local de Nascimento: Salvador/BA
- Coisas que gosta de fazer: ir ao cinema, ao teatro, jantar fora já que Porto Alegre é uma cidade que oferece muitas opções de lazer
- Maior conquista: além dos filhos, a "Batalha dos Aflitos", não pelo título em si, mas pela maneira como foi conquistado.
- Melhor goleiro: Atualmente Júlio César, mas Victor está entre os melhores
- Goleiros que convocaria para a Copa: Júlio César, Victor e Gomes

- obs: Aproveitando que o preparador de goleiros do Grêmio, Francisco Cersósimo, foi chamado por Mano Menezes para trabalhar junto com a Seleção Brasileira, posto aqui a entrevista que fiz com ele no ano passado, trabalho feito para o Curso de Extensão de Jornalismo Esportivo.
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