quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Avalanche de problemas...

Libertadores de 2007. Essa, pra mim, foi a competição mais impressionante que eu presenciei. Sempre falei isso. O envolvimento da torcida, os jogos pegados, a reversão de resultados e... o show que a Geral proporcionou. Sim, foi um show. A torcida toda fez bonito, mas a Geral, em todos os jogos, basta procurar vídeos no Youtube, foi espetacular. 

Nessa época, me sentia orgulhosa por torcer por um time com uma torcida assim, mesmo que nunca tenha concordado com o tal apoio incondicional, durante os 90 minutos. Mas, né? Naquele ano vinha funcionando, Grêmio revertendo resultados e avançando na Libertadores. Até que chegou a final e eu não preciso lembrar aqui o que aconteceu, porque todo mundo sabe. Não vou culpar a torcida, óbvio que não. Era evidente que não tínhamos time para bater o Boca, principalmente com um resultado de 3x0 contra. 

A Geral revolucionou a forma de torcer? Sim. A Geral se tornou a marca do Grêmio? Sim. A Geral levou o Grêmio a ser destaque? Sim. Até aí tudo bem. Mas no momento em que uma torcida começa a se colocar acima do clube; a se achar maior que o time; e mais importante que os demais torcedores.. Peraí, tem algo errado. 


Os títulos que não vieram e o apoio incondicional 


Desde que comecei a ir ao estádio, sempre me senti mais parte da turma do amendoim, dos corneteiros da Social. Como eu disse, nunca concordei com o apoio incondicional. Jogador ganha muito (muuuito) bem para não poder ser vaiado. E é a gente que paga. Em outro texto, eu comentei esse negócio de chefe e subordinados. Eu pago, eu tenho o direito de cobrar se não estou gostando.

Uma vez ou outra senti vontade de ir na Geral. Só para ver como era. Mas tinha receio. Primeiro, porque ouvia relatos de que quem não cantava o jogo todo, era xingado; segundo, porque sempre fui desastrada e se tivesse que descer na avalanche, eu cairia; terceiro, porque quando vou ao estádio quero ir para ver o jogo e, por vídeos, já sei que naquele setor é bem difícil acompanhar. Fatores como esse me fizeram nunca frequentar aquela parte do estádio.


Geral no Grenal da última rodada do Brasileirão 2012

Nos últimos anos, o Grêmio não ganhou nada além de Gauchão e vagas. Sou realista. Claro que não é culpa de um setor do estádio, e sim dos times que são montados. Mas, de uns tempos pra cá, a Geral tem aparecido mais em relatos de confusão. Brigas que sempre têm o nome da torcida no meio.

Torcidas do Grêmio brigando entre si. Como assim?


Dizem que há outras torcidas organizadas no meio das confusões e que a Geral não é uma organizada. Mas Geral, na verdade, é o nome do setor onde essa torcida se localiza e onde as brigas ocorrem. Portanto, são, sim, brigas na geral do Grêmio. Falam também que integrantes dessa torcida recebem incentivos e ingressos da direção para frequentar jogos. Não sei se é verdade, não posso afirmar, nem ser injusta. Mas, se for verdade, então é sim uma organizada. E um desrespeito com os outros torcedores que pagam (e caro) para ir ao estádio.

Pois bem, nos últimos anos, quantas confusões presenciamos. No jogo do Grêmio na semana passada, pelo Gauchão, contra o Canoas, aproximadamente 4 ou 5 mil pessoas no estádio. Cerca de 80 pessoas brigando no entorno do estádio, umas 30 acabaram presas. Integrantes da Geral envolvidos. O Grêmio foi deixado de lado por essas pessoas; é secundário. Quem é que em plena quinta-feira, com chuva, vai a um estádio para brigar? Não tem explicação. E o Grêmio ainda perdeu.

Aaah. A Geral que levava o Grêmio a ser destaque pelo modo de torcer, também ficou em evidência na inauguração da Arena. Fez bonito? Não, brigas que interromperam o jogo, apavoraram aos jogadores do Hamburgo e viraram manchete no noticiário internacional. Bacana pro clube, né? Um estádio de primeiro mundo e pessoas que não sabem se portar. 


Geral na inauguração da Arena (e um telão temporariamente falhado)

Isso que aquele espaço foi exclusivamente projetado para eles. Sem cadeiras, que permitiram a avalanche. Aí eu ouço que foi briga entre torcidas organizadas. Por favor, né? SÃO TORCIDAS QUE DEVERIAM TORCER PELO GRÊMIO. Não disputar espaço dentro do estádio. Me desculpa, mas não tem que ter torcida dominante, nem dona do setor. Pelo que eu sei, todo mundo torce pela mesma coisa. Se não for assim, então não deveriam estar lá dentro.

A gota d’água


Ontem à noite, contra a LDU, foi a gota d’água. Na comemoração do gol do Elano, com a avalanche, a grade cedeu e dezenas de pessoas despencaram no fosso. Isso não é culpa da torcida. É da estrutura. Mas está claro que o estádio não pode mais receber essa comemoração. A cena das pessoas caindo ontem foi horrível. Está todo mundo traumatizado devido à tragédia de Santa Maria. Então, se é possível evitar que outra calamidade ocorra, porque deixar para "ver no que vai dar"???

Eu já vinha a tempo querendo me manifestar sobre a Geral. Mas é complicado, nem todos os torcedores são sensatos ao ponto de entender a opinião alheia. Os sinais estão aparecendo, só não enxerga quem não quer. É hora de prevenir para não remediar depois.

Perguntem para os tiozinhos do amendoim, para os ‘véios’ corneteiros da Social quantos títulos do Grêmio eles acompanharam nas últimas décadas! Agora, perguntem aos torcedores pós-Batalha dos Aflitos quantas taças eles viram o Grêmio levantar... Só uma comparação. Não que a Geral seja a culpada pela falta de títulos, longe disso. Mas eu acho que vaiar às vezes é preciso.

Esse texto é uma mistura de opinião, desabafo e alerta. Ir ao estádio é algo que faz muito bem e torcer pelo Grêmio também. Sei que na Geral tem muita gente bacana, que não é conivente com essas atitudes. Generalizar também não é legal, mas quando a coisa sai do controle e não se consegue separar infratores de gente do bem, tem que proibir para todos. Foi assim com a questão de beber um pouco e dirigir.

Temos toda uma Libertadores pela frente. Temos um time com vontade de ganhar. Temos um estádio novinho que ainda não tem aqueeela ‘cara de casa’. Só precisamos da torcida envolvida com isso e tornando, a cada jogo, a Arena a cara do Grêmio. Esses fatores somados vão nos levar ao tri da América. Que não esqueçamos que acima de tudo, lá dentro da Arena, buscamos todos o mesmo objetivo. Lá dentro, somos todos iguais. Lá dentro, somos todos gremistas.

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